Jovem de 20 anos é assassinado a facadas em Cabrobó, no Sertão

Um pedreiro de 20 anos foi assassinado com golpes de faca, neste sábado (27/08), em Cabrobó, no Sertão de Pernambuco. O Homem chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A polícia ainda não sabe quem praticou o crime.

O homicídio ocorreu na residência da vítima, no bairro Santa Rita. De acordo com a Polícia Civil, o homem estava com amigos em casa, quando uma pessoa chegou, chamou o pedreiro pelo nome e quando o jovem saiu, foi atingido pelos golpes de faca. A vítima foi socorrida para o hospital local, mais não resistiu aos ferimentos. - G1/Petrolina

Governo do Estado e MPPE lançam campanha a jovens doadores de sangue

Para incentivar jovens a partir dos 16 anos a se tornarem doadores de sangue, o Governo do Estado e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) lançam, nesta segunda-feira (29), a partir das 8h30, a campanha Educar para doação de Sangue. O evento será realizado na Escola Estadual Dom Bosco, localizada na Estrada do Arraial, em Casa Amarela, e contará com a presença de alunos e professores.

A iniciativa é uma parceria da Secretaria Estadual de Saúde (SES), por meio da Fundação Hemope, com a Secretaria de Educação do Estado (SEE), e faz parte do Projeto Doador do Futuro do Hemope, que busca informar e sensibilizar os jovens sobre a importância de doar sangue regularmente. Na ocasião, cerca de 50 professores e coordenadores de diversas escolas estaduais serão capacitados como agentes multiplicadores da doação de sangue.

“A nossa expectativa é conscientizar o professor para a importância de se trabalhar, em sala de aula, a necessidade de incentivar os jovens alunos a se tornarem, no futuro, doadores de sangue. Assim, esperamos ainda ter doadores de sangue mais informados e conscientes”, ressalta a diretora de Hemoterapia do Hemope, Anna Fausta Cavalcante. 

De acordo com a legislação brasileira, para doar sangue, o doador precisa ter a idade mínima de 16 anos. Os menores de 18 anos precisam estar acompanhados de um dos pais ou responsável legal durante o processo. É importante lembrar ainda que o peso mínimo para a doação de sangue é de 50kg.

Campanha – Para fortalecer a divulgação da ação, também será lançada uma campanha publicitária, criada pela agência de publicidade Blackninja, que reúne filme cartelado para internet e apresentação em sala de aula, cartazes, folders (para professores e alunos), posts para redes sociais (facebook, instagram e twitter), adesivos para banheiro, além de peças-brindes como camiseta e porta-lápis com a marca do projeto.

MPPE - A ação Educar para doação de sangue surgiu de uma demanda provocada pela Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público de Pernambuco. De acordo com o promotor Westei Conde, a Promotoria achou importante solicitar a campanha para que, no futuro, a população tenha uma maior consciência e responsabilidade quanto à doação de sangue, em especial, para a segurança de quem recebe a transfusão de sangue.

Secretaria-Executiva de Atenção à Saúde/Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco

Satanás e Paulinha Audácia: Candidatos apostam em nomes exóticos. Veja outros

Satanás, Mentira, Seu Madruga, Paulinha Audácia Pura e Amilcar o agente 007. Estes são apenas alguns nomes exóticos utilizados por candidatos a vereador pelo Brasil nas eleições deste ano

Na Bahia, postulantes à Câmara de alguns municípios também apostam em nomes excêntricos. Como exemplo, Bulldog e Cal me ajude em Salvador. Na cidade de Porto Seguro, no sul da Bahia, têm ainda os candidatos Come Folha e Diana a Gostosa. (Via: Bocão News)

Três pessoas da mesma família morrem em acidente no Sertão

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Um acidente entre dois carros, ocorrido no final da tarde de ontem (27), causou a morte de três pessoas da mesma família, na BR-232, próximo ao município de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco. O homem, de 39 anos e a mulher, de 34 anos, morreram ainda no local do acidente. As duas filhas do casal, de 9 anos e de 3 anos foram socorridas em estado grave. A menina de 9 anos morreu ao dar entrada no hospital.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu no KM 458, a cerca de 50 quilômetros de Salgueiro. O carro de passeio, com placa de Araripina, onde seguia a família, colidiu de frente com uma caminhonete, com placa de Caruaru.

A PRF informou que pelas marcas de freio na via, a caminhonete teria invadido a pista contrária, causando a colisão. A PRF disse ainda que não há como precisar se a colisão ocorreu durante uma ultrapassagem e que somente a perícia do Instituto de Criminalística pode afirmar o que de fato ocorreu.

As duas crianças foram socorridas para o hospital de Salgueiro. A filha do casal, de 9 anos, não resistiu a gravidade dos ferimentos e morreu durante o atendimento médico. A outra vítima, de 3 anos, teve um corte na cabeça e o quadro de saúde é considerado estável. Segundo o Corpo de Bombeiros de Salgueiro, as duas crianças estavam nos assentos adequado para a idade.

O motorista da caminhonete fugiu do local sem prestar socorro as vítimas. Testemunhas que presenciaram a colisão, disseram a PRF que após o acidente, o homem saiu do carro com algumas escoriações e fugiu pela Caatinga. Dentro do veículo a Polícia Cientifica encontrou uma carteira de motorista, mas ainda não é possível afirmar quem estava conduzindo o carro no momento do acidente.

Os corpos das vítimas foram liberados na manhã deste domingo (28) e encaminhados para Ouricuri, também no Sertão de Pernambuco. G1 Petrolina

Damião e Diego voltam a marcar, e Flamengo assume vice-liderança

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Os protagonistas da vitória do Flamengo sobre a Chapecoense foram os mesmos do triunfo da última rodada contra o Grêmio. Reforços rubro-negros, Diego e Leandro Damião voltaram a balançar as redes e definiram o 3 a 1 a favor dos cariocas, que assumiram a vice-liderança do Campeonato Brasileiro. O centroavante ainda deu o passe para Mancuello marcar o terceiro, no fim; Kempes descontou para os catarinenses.

PRIMEIRO TEMPO – Diego e Damião jogaram bem. Titular, o meia soube cadenciar o time e deu bons passes. Ele abriu o placar logo aos nove minutos, ao receber passe de Pará na área. Em vantagem, porém, o Flamengo recuou. Tentou controlar o jogo no meio-campo, cozinhando a partida. Deu certo até os 43 minutos, quando Cleber Santana soltou uma bomba, Muralha não segurou, e Kempes empatou para uma Chapecoense mais incisiva.

SEGUNDO TEMPO – Depois de finalizar apenas uma vez no primeiro tempo, o Flamengo voltou mais ofensivo para a etapa final. A mudança definitiva, porém, aconteceu quando Zé Ricardo tirou Gabriel e Everton para colocar Damião e Mancuello. Com mais cadência e menos velocidade, o Rubro-Negro tomou conta do meio-campo, trocou passes e ganhou presença na área. Guerrero, com liberdade, iniciou e sofreu a jogada do pênalti. O time, porém, tornou a recuar. A Chapecoense percebeu e se lançou ao ataque. Ensaiou pequena pressão e chegou perto do empate, em finalizações de Cleber Santana e Kempes. Mas, já nos acréscimos, Mancuello recebeu passe de Damião e definiu o triunfo.

TABELA – A vitória e os resultados da rodada levaram o Flamengo à segunda posição do Campeonato Brasileiro, com 40 pontos, três a menos que o líder Palmeiras. A Chapecoense está em décimo lugar, com 30. Na próxima quarta-feira, o Rubro-Negro enfrena a Ponte Preta, em Cariacica, e a Chape visita o Santa Cruz, no Recife.

Exército diz vai expulsar militares presos com três toneladas de maconha

De acordo com a nota, os três militares são cabos lotados no 20º Regimento de Cavalaria Blindado (20º RCB), sediado em Campo Grande.O Exército informou no domingo (28), por meio de nota, que vai expulsar três militares da corporação, presos em flagrante, na madrugada deste domingo, em Campinas, no interior paulista, utilizando um caminhão das Forças Armadas para o transporte de três toneladas de maconha. Eles trouxeram a droga de Campo Grande (MS) e foram detidos no momento da entrega a um grupo de civis dos quais dois foram presos.

De acordo com a nota, os três militares são cabos lotados no 20º Regimento de Cavalaria Blindado (20º RCB), sediado em Campo Grande. ”O Exército brasileiro não admite atos desta natureza que ferem os princípios e valores mais caros sustentados pelos integrantes da Força. Diante da gravidade do fato, que desonra a instituição e atinge a nossa sociedade, os militares encontram-se presos e serão expulsos do Exército”, diz o comunicado.

Inquérito é instaurado

Ainda segundo a nota, foi instaurado um inquérito policial militar para a apuração de todos os fatos e responsabilidades. A corporação também manifestou-se à disposição das autoridades de segurança pública de São Paulo para mais esclarecimentos. O Exército fará uma minuciosa investigação na unidade militar de origem dos cabos com para “corrigir procedimentos de segurança, para que falhas desta natureza não voltem a ocorrer”, diz a nota.

O diretor em exercício do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), Joaquim Dias Alves, informou que a unidade de inteligência do órgão havia apurado que um grande carregamento de entorpecentes chegaria até uma empresa desativada, em Campinas, onde houve as prisões. Segundo ele, o fato de os militares estarem participando foi uma surpresa. Os cabos vestiam uniforme da corporação.

O delegado contou que, quando os militares perceberam a presença dos policiais civis, saíram com o caminhão das Forças Armadas em alta velocidade e na contramão pela rodovia SP-101, próximo ao quilômetro 2,8, entre Campinas e a cidade de Monte Mor.

No entanto, foram pegos logo a seguir. Um deles tentou escapar, mas foi baleado de raspão e, após ser medicado em Limeira, foi conduzido à sede do Denarc, em São Paulo, onde estão os demais detidos num total de cinco, sendo dois civis. Outros integrantes da ação criminosa conseguiram escapar e a polícia acredita que seriam mais dois civis.

Dica de Eduardo Paes a uma cidadã do Rio: “Vai trepar muito”

Chama olímpica chega ao Rio de JaneiroUm vídeo que circula na internet coloca em evidência novamente a capacidade do prefeito do Rio, Eduardo Paes, se enrolar com as suas próprias declarações. Nas imagens, gravadas no domingo de Dia das Mães do ano passado, Paes aparece entregando a chave de uma casa popular ao lado do seu candidato à sucessão, Pedro Paulo Carvalho. Enquanto circula pelo imóvel com a nova proprietária, Paes faz uma recomendação sui generis: “Rita, faz muito sexo aqui”.

Na verdade, o prefeito se valeu de palavras bem mais explícitas para enfatizar sua dica à nova moradora. “Vai trepar muito nesse quartinho”, diz o prefeito, ao entrar no apartamento com a beneficiária do programa social. No vídeo, Pedro Paulo ri de tudo que Paes fala.

Depois de percorrer o apartamento, o prefeito novamente insiste nos temas sexuais com a eleitora. Depois, surge gritando para dezenas de pessoas do lado de fora da casa. “Ela disse que vai fazer muito canguru perneta aqui. Tá liberado, hein?”. Ao fim do vídeo, Paes parece perceber que se excedeu e faz um pedido para a pessoa que está filmando: “Corta, hein?”.

Suzane von Richthofen, 14 anos depois

suzane-14anos-depoisSuzane von Richthofen continua quase tão bonita quanto era aos 19 anos de idade, quando planejou e participou do assassinato de seus pais, Manfred e Marísia von Richthofen. Pelo crime, foi condenada a 39 anos de prisão. Levada no dia 8 de novembro de 2002 para o xadrez do 89º Distrito Policial de São Paulo, desde então praticamente não saiu mais da cadeia. A foto abaixo mostra a última vez em que isso aconteceu. Foi no início deste mês, quando ela obteve autorização para deixar a Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, para passar o Dia dos Pais em liberdade. Todo preso que está em regime semiaber­to, já cumpriu um sexto da pena e apresentou “boa conduta carcerária” tem direito ao benefício das saídas temporárias. No quesito bom comportamento, Suzane parece imbatível, como mostram os depoimentos colhidos por VEJA. Paulo José da Palma, o promotor responsável pelo acompanhamento de sua pena, por exemplo, diz que a jovem “foi elogiada em todas as prisões por que passou”. A diretora da Penitenciária de Tremembé, a quem Suzane chama de “mãe”, costuma caminhar pelo pátio de braços dados com ela. A forma como a jovem parece ter se adaptado à vida no cárcere chamou também a atenção do criminologista Alvino Augusto de Sá, integrante de um grupo que recentemente conduziu uma entrevista com ela na cadeia. “Suzane nos recebeu com um sorriso bem aberto. Estava tão à vontade no ambiente que pediu que nos sentássemos.” A jovem que ajudou a matar a pauladas os próprios pais, segundo essas descrições, é dócil, meiga e gentil. Não é uma opinião unânime.

Há dois anos, quando conquistou o direito ao regime semiaberto, Suzane passou por um teste psicológico que concluiu que ela é dotada de “egocentrismo elevado” e “agressividade camuflada”, além de ser “manipuladora, insidiosa e narcisista”. A conclusão é semelhante ao que dizem, com outras palavras, algumas das pessoas com quem Suzane conviveu na cadeia. Um agente penitenciário que trabalha há dez anos em Tremembé, por exemplo, conta que a jovem costuma modular o tom de voz conforme o interlocutor. “Fala com as detentas de um jeito e faz voz de menininha quando está na frente de um carcereiro ou de alguém de quem ela quer alguma coisa.” Uma presa que convive diariamente com ela diz que foi por pragmatismo e nenhum outro motivo que Suzane se envolveu em 2014 com Sandra Ruiz, veterana de Tremembé conhecida como Sandrão, famosa por sua força física e disposição de violar as regras da prisão (chegou a regredir do semiaberto para o fechado em 2011 por desafiar agentes penitenciárias). “A Suzane nunca gostou de mulher. Ela jogou charme para o Sandrão para virar a primeira-dama da cadeia e ser protegida e respeitada.” A própria Sandra Ruiz, ou Sandrão, disse a VEJA ter dúvidas sobre as motivações que levaram a ex-namorada a se aproximar dela — e também a deixá-la: “A Su é um enigma. Nunca se sabe o que está sentindo de verdade”. Recém-promovida ao regime aberto, Sandra Ruiz é lacônica ao falar da ex. “Digo só que ela desgraçou a minha vida.”

Suzane fez outras vítimas. Em 2009, a jovem relatou a uma juíza que o promotor Eliseu José Gonçalves, da Vara do Júri e de Execuções Penais de Ribeirão Preto, havia mandado buscá-la duas vezes na cela a pretexto de tratar de uma denúncia de maus-tratos por agentes penitenciárias. Numa das ocasiões, afirmou, ele ordenou que lhe trouxessem um lanche e a cumprimentou com dois beijinhos no rosto. Suzane disse que se sentiu assediada, e a denúncia foi parar na Corregedoria. A colegas, Gonçalves, que acabou punido com suspensão de 22 dias, garantiu que foi a jovem quem se insinuou para ele. A VEJA, disse apenas: “Prefiro ouvir falar do diabo mas não quero ouvir o nome dessa moça”.

O promotor Luiz Marcelo Negrini, que cuidava da execução da pena de Suzane quando ela estava no regime fechado, diz que a “capacidade de manipulação” é um traço marcante da detenta. “Isso fica evidente nas relações pessoais que cria. Uma hora ela é homossexual, outra hora assume o papel de hétero. E assim vai se envolvendo com as pessoas e descart­ando-as, de acordo com o que lhe convém.”

Sandrão agora é passado. Suzane está noiva do marceneiro Rogério Olberg e já marcou a data do casamento: abril de 2017, quando deverá conseguir nova autorização para saída temporária, no feriado da Páscoa. Foi para encontrar o noivo que ela se arrumou toda no Dia dos Pais — maquiada e com o tom loiro dos cabelos reforçado por tintura, vestia top azul, jeans colado ao corpo e casaco, como aparece na foto que abre esta reportagem. Olberg, irmão de uma colega de cela de Suzane, é a sua única referência no mundo exterior. Desde que, em 2014, por motivos não esclarecidos, ela rompeu com seu advogado e tutor, Denivaldo Barni, não recebeu mais visitas na cadeia. Com o irmão mais novo, Andreas, não fala há dez anos.

Na saída do Dia dos Pais, Suzane passou a maior parte dos cinco dias de liberdade na casa do noivo, em Angatuba (SP), cidadezinha de 20 000 habitantes. Quando se aventurou na rua (tomou sorvete e comprou roupas novas), foi sempre de óculos escuros. Sua pena termina em abril de 2040. Mas bem antes disso ela pode passar para o regime aberto. No ano que vem, essa possibilidade voltará a ser discutida. Se for libertada, diz a amigos, pretende ter filhos, montar uma confecção, aproveitando a experiência da cadeia (ela trabalha na oficina de costura), e viver uma vida anônima. Para isso, terá de torcer para que o mundo esqueça o que um dia foi capaz de fazer uma linda menina de olhar angelical e voz — às vezes — muito meiga.

Impeachment: em 1992 Collor ia soltar os cachorros

Collor prestes a assinar notificação de que responderia, fora do cargo, por crime de responsabilidade

Rodrigo Vizeu - Folha de S.Paulo

O dia 29 de dezembro de 1992 começou com a expectativa do julgamento final do presidente Fernando Collor no Senado.

Ele até conseguira atrasar o início da etapa derradeira em uma semana —a tática era adiar a decisão até 1993, contando com erros do governo interino de Itamar Franco para voltar.

Mas o plano esbarrou em decisão do Supremo Tribunal Federal que definiu que Collor enfim começaria a ser julgado na última terça-feira do ano.

O país acordava também naquele dia querendo saber se o próprio Collor iria ao julgamento, que iria até a madrugada do dia 31, durando menos que o de Dilma Rousseff.

Até ali, dera inúmeros sinais de que se defenderia no Senado. Queria discursar por 30 minutos, sem ser apartado pelos senadores. Cogitou falar de improviso.

O aliado Ney Maranhão (PRN-PE) anunciou: "Ele vai vir em pessoa e soltar os cachorros".

Seus advogados defendiam a ida, mas havia também os que preferiam que ele faltasse, acusando cerceamento de defesa para justificar novo adiamento.

Na véspera, o porta-voz Etevaldo Dias dizia que Collor "tendia a comparecer" e repetia o que ele prometia há meses: "Jamais renunciará".

Em muitas ocasiões, nem deu abertura a aliados que defendiam a entrega do cargo exporem argumentos.

No dia D, minutos após o início da sessão, para a surpresa dos aliados, Collor deu sua última cartada para tentar se livrar ao menos da perda de direitos políticos.

Não foi ao Senado, descumpriu a promessa e renunciou à presidência da República. 

Despedida: Dilma encara discurso final "com alívio"

Dilma no Auditório dos Bancários, na quarta (24), no provável último ato público antes do impeachment

Folha de S.Paulo – Marina Dias

Dilma Vana Rousseff, 68, começou a se preparar para aquele que deve ser seu último discurso como presidente da República há 13 dias.

Muitas vezes sozinha, dedicou-se exaustivamente à elaboração de sua defesa para encarar, nesta segunda-feira (29), no Senado, um de seus maiores fantasmas: a divergência.

Pediu a aliados sugestões por escrito, separou documentos —alguns jurídicos e outros, para inspiração, da Era Vargas— e reuniu números: um roteiro comum para quem já treinou 17 horas seguidas para um debate eleitoral na campanha de 2014.

No domingo (28), um pouco mais calma, recorreu a seu advogado, José Eduardo Cardozo, e a sua assessora Sandra Brandão, que conhece, com precisão decimal, os dados sobre seu governo, para discutir os últimos ajustes de sua fala, que define como o momento mais difícil desde seu afastamento do cargo.

Dilma não queria ir ao Senado. Resistiu até a semana passada, mas foi convencida por aliados de que era um bom momento para "fazer história".

Esperava encerrar logo o ciclo e, como disse aos mais próximos, ficará "aliviada" em acabar com a agonia pessoal que foi para ela o processo de impeachment.

A obsessão por afastar o contraditório teve reflexo direto na perda de condições para governar ao longo de seu segundo mandato, dizem auxiliares.

Dilma foi se desvinculando de quem discordava dela e passou a ouvir cada vez menos os divergentes, inclusive o ex-presidente Lula.

Cercou-se de pessoas que diziam "sim" para tudo o que ela ordenava, que tinham medo de seus famosos ataques de fúria quando confrontada e que não puderam evitar que esse comportamento fizesse ruir também seu relacionamento com o Congresso.

Nesta semana, enquanto revezava-se entre a elaboração de seu discurso e o mapeamento de votos que teria no Senado — para aprovar o impeachment são necessários 54 dos 81 votos —, a petista sentiu os reais reflexos de sua personalidade.

Um aliado escalado para convencer senadores indecisos a conversar pessoalmente com Dilma ouviu a constatação retórica de um deles: "Mas ela nunca me recebeu antes". Foi entusiasmado a "olhar o futuro", porém não se sabe se foi convencido.

A presidente afastada diz ter consciência de que as sessões do impeachment no Senado são "teatrais", que as decisões estão tomadas e que será muito difícil mudar algum voto com sua fala.

Preferiu não assistir aos senadores pela TV, mas pediu a assessores os discursos de aliados por escrito, para ter uma ideia do que se passava.

Ela quer fazer uma fala forte, pessoal e que sirva, em suas palavras, como um "registro histórico do golpe".